Show de Paulo Ricardo, no Estação Retrô !
"Os dois maiores presentes que podemos dar aos filhos são raízes e asas." (Hodding Carter)
Amigos

"... e amigos fazem parte de meus alicerces emocionais:
são um dos ganhos que a passagem do tempo me concedeu.

Falo daquela pessoa para quem possa telefonar, não importa onde
ela está nem a hora do dia ou da madrugada e dizer: "estou mal,
preciso de você". E ele ou ela estará comigo pegando um carro, um
avião, correndo alguns quarteirões a pé, ou simplesmente ficando ao
telefone o tempo necessário para que eu me recupere, me reencontre,
me reaprume, não me mate, seja lá o que for. (...)

Falo daquelas amizades para as quais eu sou apenas eu, uma
pessoa com manias e brincadeiras, eventuais tristezas, erros e
acertos. (...)

A amizade é um meio-amor, sem algumas das vantagens dele mas sem
o ônus do ciúme - o que é, cá entre nós, uma bela vantagem.

Ser amigo é rir junto, é dar o ombro pra chorar, é poder criticar (com
carinho, por favor), é poder apresentar namorado ou namorada, é
poder aparecer de chinelo de dedo ou roupão, é poder até brigar e
voltar um minuto depois, sem ter de dar explicação nenhuma.

Amiga é aquela a quem se pode ligar quando a gente está com
febre e não quer sair pra pegar as crianças na chuva: a amiga vai, e
pega junto com as dela ou até mesmo se nem tem criança naquele
colégio.

Amigo é aquele a quem a gente recorre quando se angustia demais,
e ele chega confortando, chamando de "minha gatona" mesmo que a gente
esteja um trapo.

Amigo, amiga, é um dom incrível, isso eu soube desde cedo, e não
viveria sem eles. (...)

Nesta página, hoje, sem razão especial nem data marcada, estou
homenageando aqueles, aquelas, que têm estado comigo seja como for,
para o que der e vier, mesmo quando estou cansada, estou bruta, estou
irritada ou desatinada, pois às vezes eu sou tudo isso, ah!, sim.

E o bom mesmo é que na amizade, se verdadeira, a gente não
precisa se sacrificar nem compreender nem perdoar nem fazer
malabarismos sexuais nem inventar desculpas nem esconder rugas ou
tristeza. A gente pode simplesmente ser: que alívio, neste mundo
complicado e desanimador, deslumbrante, terrível, fantástico e
cansativo.

Pois o verdadeiro amigo é confiável e estimulante, engraçado e
grave, às vezes irritante; pode se afastar, mas sabemos que retorna:
ele nos agüenta e nos chama, nos dá impulso e abrigo, e nos faz ser
melhores: como verdadeiro amor."

Lya Luft - "Coluna Ponto de Vista"