LINDO FILME !


A COMPREENSÃO


"Compreenda e será feliz. A compreensão tem o poder de penetrar no mais íntimo das complicações, dos problemas, de explodi-los e dali sair transportando a vitória, as certezas, os alívios, as soluções. A compreensão é calma. Não contribua com pensamentos que armazenam as complicações, que as fazem ainda mais resistentes, mais implicantes, com o mal vencendo o bem e oprimindo o coração. Eleve as esperanças, os agradecimentos, e tudo melhor compreenderá. Quando a compreensão entra por uma porta, os males saem por outra."

A DOR QUE DÓI MAIS
Martha Medeiros

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Mude

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama. Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais, leia outros livros, Viva outros romances! Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia. o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. a nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental. Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas. Troque de carro. Compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. Arrume um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda! "

Edson Marques
Rifa-se um coração.
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desistede acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coraçãoque acha que Tim Maia estava certo quando escreveu…“…não quero dinheiro, eu quero amor sincero,é isso que eu espero…” .
Um idealista…Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva aesperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racionalsendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurandorelações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometersempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nomede causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posiçõesarrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocionalque abre sorrisos tão largos que quase dápra engolir as orelhas, mas quetambém arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizadopor quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo,defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocenteque se mostra sem armadurase deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,só errei quando coloquei sentimento.Só fiz bobagens e me dei malquando ouvi este louco coração de criançaque insiste em não endurecer e,se recusa a envelhecer”
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltratetanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que aindanão foi adotado, provavelmente, por se recusara cultivar ares selvagens ou racionais,por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,mesmo estando fora do mercado,faz questão de não se modernizar,mas vez por outra,constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector
Sinto agora mesmo o coração batendo desordenadamente dentro do peito. E a reivindicação porque nas últimas frases andei pensando somente à tona de mim. Então o fundo da existência se manifesta para banhar e apagar os traços do pensamento. O mar apaga os traços das ondas na areia. Oh Deus, como estou sendo feliz. O que estraga a felicidade é o medo. Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: eis os limites de minha possibilidade.

Clarice Lispector (Água Viva)

LEITURA DIGITAL

Como o mercado de livros se adaptou à internet por vias não-convencionais – e o que ele pode esperar do futuro Alexandre Matias. Graças à web, diferentes gerações descobriram – ou redescobriram – o prazer da escrita e da leitura. Muito antes do MP3, dos programas on-line e do YouTube, a interface da rede era formada basicamente por textos e imagens. Logo depois de os veículos de comunicação impressos terem se voltado para a internet, foi a vez do mercado editorial. Mas, enquanto jornais e revistas se digitalizaram de forma pontual e prática, o mundo dos livros não chegou pelas vias convencionais. De textos em domínio público digitalizados por amantes da literatura a novos escritores que descobriram no formato blog uma plataforma para se lançar, a Galáxia de Gutenberg começa a invadir os meios digitais. E, ao contrário do que aconteceu com as gravadoras, que não se adaptaram à internet e em vez de trabalharem com ela preferiram combatê-la, o mercado editorial vem aos poucos cogitando possibilidades para acompanhar as mudanças. Veja a seguir um resumo da evolução da digitalização de livros e saiba um pouco sobre o que vem por aí.
E-BOOKS.
O conceito de “livro eletrônico” é tão antigo quanto a própria web. Na medida em que começou a se popularizar, a rede permitiu que os próprios usuários pudessem digitalizar obras inteiras para serem lidas no computador. Mas ler e escrever textos longos no PC era um martírio – na verdade, ainda é. O problema do direito autoral também era incipiente quando, nos anos 1990, surgiu o Projeto Gutenberg, que semeava a criação coletiva do século 21: buscava digitalizar livros e peças que haviam caído em domínio público. Não demorou muito para os internautas descobrirem características específicas do texto digital, como a possibilidade de incluir links e outras inúmeras ferramentas multimídia – além, por exemplo, da vantagem de o único espaço ocupado em casa ser o do disco rígido.
PDF
O “livro eletrônico” ainda não tem formato definido. Desde os primórdios da internet, a leitura podia ser feita diretamente nos programas de navegação na web no formato HTML, mas os textos eram salvos de diferentes formas nos computadores – ou no próprio formato web, como documentos do Word da Microsoft, ou o texto puro, sem as imagens. Cada uma dessas modalidades trazia mudanças na diagramação e, consequentemente, na leitura em cada tipo de computador. Afinal, era uma época em que não havia uma padronização tão ampla entre plataformas. Vendo esse cenário, a companhia de software Adobe criou o formato PDF, que permite manter o número de páginas e a diagramação dos livros como eles haviam sido pensados para ser consumidos – e não apenas como uma lista interminável de texto. O formato foi amplamente adotado – inclusive pelo mercado editorial em papel, que passou a usar o PDF como uma espécie de fotolito digital, queimando uma das etapas da impressão de livros.
E-READERS.
O passo seguinte rumo à leitura digital foi “tirar” o livro do computador. A leitura na tela pode até ter se tornado comum com a web, mas ler no monitor ainda é um processo doloroso. Por isso, várias empresas têm criado dispositivos que simulam um livro em papel – em peso e formato – para facilitar a leitura. O primeiro deles foi o Sony e-Reader, lançado em 2006. No ano seguinte, a loja on-line Amazon lançou o Kindle, o leitor de e-books que teve melhor recepção no mercado até agora. O aparelho recebeu elogios pelo aspecto tecnológico e críticas em relação ao modelo de negócios, pois ele só permite que se usem livros comprados na Amazon. A mesma coisa de um iPod que não tocasse MP3, mas somente as músicas compradas via Apple.
EXPERIMENTOS
O aspecto interativo da literatura digital fez que uma série de autores experimentasse as possibilidades do formato: da inclusão de elementos multimídia em livros feitos para serem lidos na tela a romances cujo enredo se desenrola no Google Maps ou são escritos inteiramente no Twitter, rede social em que seus usuários só podem escrever textos com até 140 caracteres. A editora inglesa Penguin criou uma divisão apenas para explorar essas possibilidades.
NO CELULAR
Com a evolução do telefone móvel para um pequeno computador portátil, foi natural a invasão do celular pelo texto digital. O dispositivo ainda está longe da praticidade e do conforto ambicionados pelos e-readers, mas sua onipresença já foi flagrada por editores, que o utilizam de formas diferentes: no Japão, por exemplo, a população lê mangás durante as intermináveis viagens entre o trabalho e a casa e há um boom editorial de romances escritos com capítulos curtíssimos e enviados via SMS. Cada vez mais grandes grupos de comunicação adaptam o conteúdo de seus jornais e revistas para serem lidos pelo celular.
AUDIOLIVROS
A princípio voltados para deficientes visuais, os livros lidos – ou audiobooks – estão renascendo por causa do excesso de leitura em tempos de internet. Uma fração desse novo público leitor não aguenta mais ler o tempo todo e passa a buscar obras gravadas por seus autores ou vozes preferidos. Muitas pessoas aproveitam também as horas perdidas no trânsito das grandes cidades para ouvir histórias. No mercado brasileiro, estão disponíveis ótimos títulos lidos por Nelson Motta, José Wilker e Paulo Betti, entre outros.
PAPEL ELETRÔNICO.
A tecnologia do papel eletrônico foi criada pelo PARC (Palo Alto Research Center), um centro de desenvolvimento tecnológico da Xerox localizado na cidade de Palo Alto, na Califórnia, Estados Unidos. Desse centro saíram, por exemplo, o mouse e o protótipo do Windows. A tecnologia para o papel eletrônico existe desde os anos 1970, mas só começou a ser desenvolvida de modo mais intenso a partir da virada do século passado, quando o uso comercial desse suporte começou a ser encarado como uma possibilidade. Embora seja a base dos leitores eletrônicos e do Kindle, o Santo Graal para esta nova etapa do mercado editorial é um material mole e flexível como o papel, que não emite luz como os monitores atuais, mas funciona como uma tela de computador, em que texto e imagens são simplesmente recarregados à medida que as páginas são “viradas”. A pergunta inevitável é: como se folheia um livro eletrônico? Com as pontas dos dedos, em um botão ou num piscar de olhos? O papel eletrônico, na verdade, é só o começo de uma nova história. ©

Revista da Cultura - Edição 19
"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim...Suas palavras seriam as mais simples do mundo, porém não sei que luz as iluminaria que terias de fechar teus olhos para as ouvir...Sim! Uma luz que viria de dentro delas, como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel! Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento da Poesia...comouma pobre lanterna que incendiou!"

Mario Quintana
Amado

Vanessa Da Mata

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você
Escutatória

"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto."

Rubem Alves

Show de Elton John


Show de Elton John, São Paulo, 17 de janeiro
A "tchurma" da esquerda pra direita: Almir (papai), Eu, Ilka, Amaral, Bia, Alexandre e Cecília.
Super fila ! Super show !
Super greatest hits. Goodbye Yellow Brick Road, Daniel, Sorry seems to be the hardest word... entre tantas outras... e no fim... Skyline pigeon e Your song !!!